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GUILHERME SCARPA
De repente perdi a respiração, a inspiração. Sempre foi tão fácil escrever sobre Madonna, mas, depois do show, ficou difícil. Acho que não só pelo show. O documentário que produzi sobre a material girl também foi intenso. Mais até do que o show debaixo de chuva no Maracanã. E agora já sabemos que o sonho não vai terminar. A Sticky & Sweet Tour volta em julho. Nunca imaginei que Lady Madonna fosse nos surpreender com essa esticadinha. Mas o que o futuro reserva?
Mal voltei a escrever e estou me sentindo estranho. Não é dificuldade. Parece que alguma coisa mudou. E eu tinha medo disso. Medo de perder o encanto. Tantos anos de convivência Miles Away e, de repente, ficamos tão próximos, cara a cara. Foi durante "Into the Groove". Olhei no fundo dos olhos dela. Madonna capturou a minha alma naquele momento.
Depois do êxtase, ficaram poucas recordações do show. Mas flashes intensos. Aquela Candy Box tomando vida, a coreografia de "Vogue", a versão rock de "Borderline" e as Madonnas de "She's Not Me". O bloco cigano. Não imaginei que iria gostar tanto. O piano de "Devil Wouldn't Recognize You" ainda toca na minha cabeça. A versão de "You Must Love Me" tão sincera também. Por fim, "Like a Prayer" emendada com "Feels Like Home".
Agora a ansiedade pelo DVD. Desejo de rever tudo sem perder nenhuma parte, podendo observar os detalhes que a emoção impede. Já falei sobre seus 25 anos de carreira tantas vezes, esmiucei cada pedacinho. Ouvi de tudo. Das mais precárias demos até os remixes mais diferentes para as músicas. Flertes com techno, drum 'n bass, trance, rock, eletro... o que poderá surgir depois de brincar com o hip hop americano?
Foi difícil no começo. Quando comprei o Hard Candy, ninguém gostou do disco. "Muito chato! Essa não é Madonna. Ruim pra cara***...", ouvi muitas coisas do gênero. Só gostava de "4 Minutes", "Miles Away" e "Beat Goes On". Mas fui persistente. Acho que todo mundo entrou nesse esquema. Meses depois, já com a "Sticky & Sweet Tour", conheci dois DJs que bombavam suas pistas não com 4 Minutes ou Give It 2 Me, e sim com Heartbeat e She's Not Me, que tornaram-se favoritas para mim também.
Mas não tenho noção do que virá à frente. Um disco novo só deve rolar no segundo semestre de 2010. Se é que vai ser um disco. Recuso-me a dar qualquer palpite quanto à sonoridade. Com todas as mudanças que a indústria está sofrendo, acredito que Madonna surgirá com um novo formato. Este mês, Billy Corgan, do Smashing Pumpkins, anunciou que a banda não lançará mais discos no formato tradicional (média de 10 a 14 faixas, quatro singles...). Radiohead já provou com "In Rainbows" que existem outras formas de lançar um disco e pagar por isso. Eu também sei, mas continuo antiquado. Essa semana comprei o maxi -single de "Rain". A fase é boa mesmo para cavucar o baú Dela e esperar. É, acho que o encanto continua...
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Por Guilherme Scarpa
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