E Agora, Jesus?
The beat goes on…Madonna goes on...

POR MÁRIO LA TORRE FILHO

Todo começo de ano a gente faz a mesma coisa: pensa no ano que passou, lembra o que viveu e tenta programar o que quer realizar nesse que acabou de começar. Essas resoluções de ano novo geralmente servem para dar aquele gás inicial e manter acesa dentro de nós a sensação de que “The World Is Mine” mas, geralmente, ela não dura nem até o dia de desmontar a árvore de Natal.

Nesse ano que começou tem muito fã de Madonna vivendo a ressaca de 2008. Sim a tia veio para cá, mesmo com muita gente jurando que isso era impossível de acontecer. Veio com vontade ainda por cima. Cinco shows num país “pobre” como o Brasil realmente era inimaginável.

E no entanto o que a gente esperou e sofreu tanto pra vivenciar acabou. Assim como o ano também acabou, a Sticky & Sweet no Brasil e todo o agito da passagem de Madonna por aqui são agora memórias.

E enquanto uns querem um tempo de Madonna depois da overdose de dezembro e outros não vêem a hora do DVD sair, o que esperar num ano novo de Madonna? Será que realmente ela quebra todo o padrão da sua carreira e cai na estrada com a segunda parte da tour? Será que o DVD vai ter extras e os vídeos dos telões serão incluídos? E o tal do BOX que a Warner vai lançar, realmente vai acontecer?

Contudo, dessa vez, a velha questão do que ela irá fazer agora talvez seja maior e mais abrangente. Assim como o ano mudou, a carreira da Madonna também está mudando e, com ela, alguns padrões. A tia já não faz mais parte de uma gravadora tradicional como todos sabemos e o que será que nos aguarda esse novo “jeito Madonna” de fazer música?

Até onde foi revelado, o beat vai continuar on por pelo menos mais dez anos e sabemos que ao menos mais três álbuns e três turnês Madonna tem que fazer. Bem provável que em uma dessas ela volte ao Brasil uma vez que todo grande artista já descobriu que apresentação ao vivo é o que dá dinheiro. Vários desses artistas estão percebendo que o Brasil tem um potencial enorme para consumir mesmo sendo “pobre” (como vários brasileiros adoram enfatizar) e poucos, como a Madonna, podem cobrar bem por isso e encher cinco estádios.

Mas agora que Madonna diz que é sócia e não mais empregada de uma gravadora, será que como tal, que lucra junto e não apenas recebe, ela vai voltar, por exemplo, a fazer vídeo clipe das suas músicas como fazia antigamente, com produção e conceito e não da maneira que temos visto já faz uns três álbuns? Será que a promoção dos seus novos discos vai voltar a ser digna do nome Madonna e, quem sabe, as estratégias de lançamento de singles e álbuns vão finalmente ser acertadas, já que sempre culpávamos a Warner pelos desastres?

Algo que sempre penso é que na verdade Madonna está muito longe disso e sabe muito bem que não precisa mais provar nada para ninguém. Sim ela foi a rainha do vídeo clipe e sim ela vendeu milhões de cds mas, num mercado onde venda é luxo e apresentação ao vivo enche o bolso e cumpre contratos, para que ficar se preocupando em fazer clipe, caprichar em divulgação e se apresentar em programa de TV sendo que Madonna já tem um nome e público estabelecidos e o álbum, vendendo ou não, não vai atrapalhar quando ela contratar o melhor coreógrafo, os melhores dançarinos, a melhor empresa de criação de vídeos, o melhor aparato tecnológico, escolher algumas canções do seu vasto repertório e subir em cima de um palco para representar mecanicamente sua nova personagem.

Talvez isso nem seja um crime ou ruim, seja apenas diferente, a nova forma de consumir Madonna. Para quem foi acostumado com o jeito antigo com certeza bate uma saudade mas, daqui para frente, pode ser que essa seja a única maneira de termos Madonna.

Mas mesmo se os clipes fenomenais e as grandes produções musicais da tia forem coisas do passado, Madonna vai continuar sendo Madonna. Sua atitude ainda vai continuar a existir e até, em momentos, incomodar. Ainda vivenciaremos capas de revistas, shows, entrevistas, declarações e a tia, de 50 anos num corpinho de 30, inventando um novo jeito de ser Madonna. Esse último, ao que parece, a mais nova maneira com a qual Madonna choca.

Conheço vários que dizem que ela se vendeu, que deixou de ser relevante musicalmente falando e que não causa mais o impacto que um dia causou mas, ainda teimo, não é necessariamente certo ou errado, melhor ou pior. É apenas uma outra maneira de consumir Madonna, e torcer para tirar algo maior de tudo isso.

Mário La Torre Filho, 27 anos, ciente que "Hard Candy" já era e com certa
saudade da grade da tour. Que venha logo o “novo” momento da Madonna.

 


Por Mário La Torre Filho
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